Real é a 5ª moeda que mais perdeu valor frente ao dólar em 2024, acima do peso argentino; veja o ranking

Com a quarta alta consecutiva da moeda norte-americana frente ao real na última quarta-feira (19), a queda acumulada da divisa brasileira já chega a 11,4% neste ano.

O ranking, elaborado com base nas taxas de câmbio de referência Ptax, considera as moedas de 118 países.

Neste ano, a naira nigeriana é a divisa com maior desvalorização acumulada frente ao dólar, com uma variação negativa de 41,30%, com base em dados levantados até o dia 11 de junho. A moeda é seguida pela libra do Egito, com queda de 35,20%, e pela libra sul sudanesa do Sudão do Sul, com baixa de 29,90%. 

O peso argentino ocupa a sexta posição no ranking, atrás do real, com uma variação negativa de 10,80% em 2024. No ano passado, a divisa da Argentina foi considerada a segunda moeda com maior desvalorização no mundo frente ao dólar, com uma variação negativa de mais de 77%. 

Além disso, o iene japonês também aparece entre as dez moedas com maior desvalorização frente ao dólar, ocupando a sétima posição.

Na outra ponta do ranking, a moeda do Quênia, xelim, acumula uma valorização de 22,1% no ano frente ao dólar. Em seguida, as divisas da Rússia e do Sri Lanka aparecem com altas de 7,3% e 6,2%, respectivamente.

Moedas que mais perderam valor frente ao dólar em 2024
1. Naira, da Nigéria: -41,30%
2. Libra, do Egito: -35,50%
3. Libra Sul Sudanesa, do Sudão do Sul: -29,90%
4. Cedi, de Gana: -20,90%
5. Real brasileiro, do Brasil: -11,40%
6. Peso argentino, da Argentina: -10,80%
7. Iene, do Japão: -10,40%
8. Lira turca, da Turquia: -9,20%
9. Peso mexicano, do México: -7,90%
10. Peso colombiano, da Colômbia: -7,10%


Por que o real está em baixa?


Uma série de fatores está contribuindo para a variação positiva do dólar frente ao real, incluindo as perspectivas de política monetária nos Estados Unidos e as tensões fiscais no Brasil. 

Neste mês, o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, manteve os juros do país inalterados em uma faixa de 5,25% a 5,50% ao ano, após uma decisão unânime. Esse é o maior patamar dos juros estadunidenses desde 2001.

Além disso, a autoridade monetária sinalizou ainda que pretende reduzir os juros apenas uma vez até o final do ano, na contramão das expectativas do mercado que apontavam para duas reduções. Dessa forma, os juros altos atraem a migração de recursos para o país norte-americano, o que contribui para a valorização do dólar. 

Além disso, as preocupações fiscais no Brasil também estão afetando o mercado e fazendo com que a divisa norte-americana avance diante do real. 

"O câmbio voltou a estressar aqui no Brasil com falas do presidente Lula, em especial a parte em que o mercado interpretou que ele não vai cortar gastos, e que os gastos atuais da máquina pública serão sustentados com a arrecadação que está melhor que o esperado, e que a queda da Selic vai ajudar a manter esses gastos", explica Andre Fernandes, head de renda variável e sócio da A7 Capital.

De acordo com o especialista, o real deve seguir pressionado e perdendo valor frente ao dólar, à medida que o mercado aguarda novas medidas do governo para sustentar os gastos públicos. "Acredito que, enquanto as medidas que podem melhorar a situação das contas públicas continuarem só no discurso, o mercado de câmbio pode seguir pressionado", avalia Fernandes.


Por:
Giovanna Oliveira- TERRA DINHEIROS